Ano passado participei de uma discussão sobre certificações no fórum sobre teste de software DFTestes. Um dos maiores fóruns em teste de software do país, diga-se de passagem. O tema foi “Certificações, valem a pena?”. Comentei brevemente sobre essa discussão em um de meus posts, mas com um foco um pouco diferente. Escrevi sobre certificações no sentido de sermos um pouco mais críticos em relação ao que as organizações nos oferencem. Neste aqui, quero mostrar minha visão em relação aos processos de certificações existentes atualmente e de novo, sermos mais críticos quando procuramos FAZER uma certificação.

Conforme realizado no Fórum, vou usar a mesma divisão para direcionar o post e as idéias, ok? Vamos lá!

1. Certificações valem a pena?

Bem, depende de quem quer contratar o profissional. Se a empresa sabe o que quer, sabe o que procura, tem definido seus objetivos e a finalidade com o uso desse conhecimento, SIM vale a pena. Se ela NÃO sabe o que quer, NÃO sabe o que procura, NÃO tem idéia pra que serve esse conhecimento, definitivamente NÃO vale a pena. Conhecem o ditado, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”? Parafraseando, mais vale um profissional experiente, que sabe o que está fazendo, que conhece as melhores práticas e sabe onde usar seu conhecimento do que outro que possui uma sopa de letrinhas em seu curriculo, mas quando é posto à prova, não prova o conhecimento que diz ter. Quem convive comigo sabe que gosto e pratico o termo “liderança pelo exemplo” e fazendo jus a isso vamos a uma breve reflexão.

Quando procuramos um médico, buscamos nele o número de certificações que ele tem ou informações a respeito de seu tempo de profissão, conhecimento sobre os melhores tratamentos e experiência no tratamento dos problemas?

2. Porque as certificações são hoje em dia tão criticadas?

Penso que por dois motivo: Primeiro são meros produtos, composição de letras melhor dizendo; Segundo, algumas empresas tendem a valorizar essa composição de letras ao invés de observar a experiência do profissional.

Usando como exemplo uma certificação muito conhecida e que, particularmente, critico bastante. PMP(Project Management Professional), do PMI(Project Management Institute). Conheci o processo e certificação PMI em 2000, quando fiz um curso introdutório em gerenciamento de projetos. A chamada principal para se tornar um GP(Gerente de Projetos), era a de ter a possibilidade de aumentar consideravelmente o salário com a obtenção da certificação. No meu ponto de vista, PMP nada mais é do que status. Porque afirmo isso? Vejam o seguinte cenário:

Um profissional recém-formado, e certamente com pouca ou nenhuma experiência de mercado e de vida, estuda por alguns meses e consegue a certificação. São contratados como “Gerente” e chegam na empresa com o status de um profissional que conhece de gerenciamento e também de projetos. Claro, sou certificado e conheci TUDO em 3 meses de estudo. O pior, é que realmente acreditam nisso.

Como toda regra tem sua excessão, é óbvio que alguns se sobressaem. Mas por favor, não confundam “excessão” com “regra”. São itens COMPLETAMENTE DISTINTOS. Porque frizar isso? Acreditem ou não, já trabalhei com alguns GP’s que me fizeram acreditar que existem empresas que não sabem bem o significado disso. Só contratam “regras”.

Escolhi a certificação PMP como exemplo, porque ela tem uma conotação gerencial muito forte e existe um fator que no meu ponto de vista é crucial em qualquer área da vida. O fator HUMANO. O estudo de alguns meses para se tornar um PMP, definitivamente NÃO ensina o relacionamento e como tratar o ser humano em projetos. Isso se aprende VIVENDO.

Pode parecer estranho, mas eu NÃO sou contra certificações e nem contra a certificação PMP, muito pelo contrário. Certificações precisam e devem existir. Sou CONTRA o processo de COMO se certifica um profissional.

Uma prova. Está certificado… Poooode sair comandando geral… Aeeee!!!

Mas, como assim??? Uma prova valida um profissional e diz que ele é realmente bom naquilo que se certificou ou não? Será que apenas isso é o suficiente? Penso que não. O que prova isso é a experiência aliada ao conhecimento adquirido e suas aplicações.

O conceito de CERTIFICAÇÃO diz apenas que o profissional certificado conhece a teoria sobre um determinado assunto, entretanto NÃO ATESTA que ele realmente SABE aplicar corretamente essa teoria na prática. Tem grandes chances, é verdade, mas se ele possui apenas uma certificação. Desculpem-me mas acreditar apenas em uma composição letras que alguém tem no curriculo, para mim NÃO É o suficiente para atestar que ele conhece e reconhecer o contrário é assinar atestado de incompetência na avaliação do canditado.

3. Porque há tantas certificações na área de qualidade e teste?

Simples. Certificações são EXTREMAMENTE rentáveis para as instituições que as fornecem.

4. Qual posição do mercado em relação aos profissionais certificados?

 

Vejo organizações colocarem certificação como sendo um diferencial na contratação, porém outras colocam como sendo essencial.

 

As que colocam certificação como sendo um diferencial me passam uma visão de empresas que sabem o que querem, sabem o que procuram, e tem definido seus objetivos e a finalidades com o uso desse conhecimento.

Empresas que colocam cerfificações como obrigação, além de me passar a impressão de que não sabem o que querem, intimidam profissionais que não tenham certificações, porém tem uma grande bagagem de conhecimento, e acabam perdendo a oportunidade de encontrar excelentes profissionais. Nesse caso ela restringe de forma perigosa(para ela) a inscrição de profissionais ao processo seletivo.

Para não dizer que só critico, proponho uma solução. Proponho uma mudança de paradigma dos processos de certificação.

A quantidade de cursos preparatórios para certificações é extremamente grande grande e conheço alguns e atesto que são extremamente rigorosos e exigentes. Porque então não usar toda essa estrutura para não apenas preparar, mas também certificar os candidatos? Nesse caso eles não passariam por uma simples avaliação simples, passariam por um processo de certificação.

Querem um exemplo prático?

Há alguns bons anos atrás quando ingressava na área de informática, procurei um curso que me qualificasse a buscar meu primeiro emprego. Antes mesmo da faculdade Na época não dispunha de muitas opções e acabei escolhendo o SENAC por terem um programa com o foco que eu queria, programação de computadores. O programa era bastante interessante e chamava-se “Programador”. O que me chamou atenção nesse curso era a seleção dos candidatos. Qualquer pessoa, de qualquer área poderia fazê-lo, porém… É, tinha um porém… O candidato inscrito tinha que passar por uma qualificação prévia em lógica de programação. Obviamente ninguém sabia o que era isso, inclusive quem voz escreve. Essa qualificação NÃO era uma prova, mas sim um curso de 2 horas diárias de aula durante 4 semanas sobre lógica de programação. Nesse período eram aplicadas avaliações semanais. Ao final das 4 semanas, eram excluídos da seleção médias abaixo de 75% e as 24 melhores médias, acima de 75% eram qualificados para avançarem EFETIVAMENTE no programa do curso. Minha turma começou com 130 candidatos e restaram 22, ou seja, os demais ou desistiram, ou viram que não era o que buscavam. Os que não desistiram TODOS os 22 atingiram a média estipulada.

Porque não se usa mais isso? Talvez não seja tão rentável… Engraçado, estarmos em uma época que fala-se tanto em qualidade, e não vejo ela presente nos processos de qualificação… É um paradoxo isso.

Sei que esse é um assunto meio polêmico e alguns podem não concordar comigo e espero SINCERAMENTE que isso ocorra, pois não sou dono da verdade. Mas um pouco de lenha na fogueira não fará mal a ninguém, e me ajuda com o frio que tô passando aqui… 🙂

 

Abraços e até a próxima!!!

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