Participo de alguns fóruns de discussões em Qualidade e Teste de Software, e em um deles(1) foi lançada a excelente idéia(2) de organização dessas discussões, onde em cada semana um tema é escolhido democraticamente pelos integrantes do grupo, esse tema é amplamente discutido no fórum. Considerei isso fantástico, pois além de organizar as idéias, abre espaço para uma discussão sadia e direcionada. Aproveito aqui para parabenizar o criador dessa idéia.

Um dos temas discutidos foi “Certificações, valem a pena?”. Surgiram diversas opiniões e inclusive esse SER que vos escreve deixou a dele lá. O tema que quero colocar para vocês hoje, não tem muito a ver com o post de hoje, mas usei isso como introdução a um assunto que afeta a todos nós no dia-a-dia, nunca percebemos e muito menos questionamos.

Já repararam que de alguns anos para cá somos bombardeados por publicidades a respeito de certificações. Certificação disso e daquilo…

A partir de hoje, reparem ao entrar em um estabelecimento comercial ou forem contratar algum tipo de serviço. Ou melhor, antes de irem nesses estabelecimentos, procurem na internet e dê uma olhada minunciosa no site desse estabelecimento. Você pode se deparar com informações do tipo: “Esta empresa é certificada ISO900XPTO.” “Temos certificação YZT9134.” “Temos certificação de qualidade MANU171”(sem trocadilhos). E por aí vai.

Ao contrário do que muitos pensam, essas certificações na maioria das vezes é dada a apenas um processo da empresa e não para toda a organização, porém isso acaba sendo usado como moeda de publicidade para atrair clientes desavisados de plantão. Esses clientes(NÓS), na ilusão de estarmos entrando em local idôneo e REALMENTE certificado, confiamos na falsa indicação de que estamos realmente comprando algo certificado. As vezes pode até ser, mas na grande maioria das vezes, não é assim que a coisa funciona. Acaba que o princípio da confiança e qualidade que essas empresas pregam, ficam em baixo do tapete e omitem o real teor da certificação. E vocês sabem o que vai para debaixo do tapete, certo? 😉

Diante disso, certificações como ISO e outras bem conhecidas no mercado acabam entrando no descrédito por conta desse tipo de ação. Falha dos institutos que certificam? Falha das empresas que usam de forma incorreta o resultado da certificação? No meu ponto de vista, não há falha em nenhum dos dois.

Os grandes culpados somos nós, os consumidores desses produtos/serviços. Quando digo NÓS, digo pessoa física e jurídica.

Culpados porque?

Simples, não possuimos a capacidade crítica de perguntar exatamente o que estamos comprando. Olhamos e aceitamos aquilo como verdade e pronto. Tá tudo certo. Em certos casos, e não são poucos, os consumidores “ajudam” esse tipo de prática, pois mesmo depois de conhecerem o resultado catastrófico da aquisição, com receio de perderem credibilidade, divulgam o produto/serviço adquirido como sendo realmente aquilo que se lê. Aí questiono, porque isso? Não seria mais fácil divulgar a má fé e assim ninguém mais cairia nesse buraco? Ou melhor, não seria bom a divulgação e assim forçaria a organização a rever seus conceitos e adotarem uma postura mais transparente com o consumidor?

Capacidade analitica e critica todos nós temos, porém infelizmente não usamos quando realmente precisamos. Convido vocês a fazerem essas indagações.

Vejo aqui que sua organização é cerficada. Interessante heim? Me conte mais a respeito disso. O que ela vez para se certificar? Onde e quem te certificou? Onde EFETIVAMENTE está aplicando esses conceitos? Qual o resultado prático disso? Onde eu, como consumidor, posso me beneficiar de tal certificação?

Faça isso. Indague. Compre e  LEVE exatamente o que comprou. Caso contrário, nem eu e nem ninguém pode garantir absolutamente nada do produto/serviço. A não ser os cartazes publicitários.

refletindo um pouco mais sobre essa situação, vamos usar algo do nosso cotidiano:

Você recebe crédito de algum estabelecimento comercial apenas pela sua aparência? Na base da confiança? Ou eles verificam antes SEU CERTIFICADO DE AUTENTICIDADE (CPF)? hmmm… Se eles checam isso SEMPRE, porque então eu devo confiar nele só porque é limpinho, apresentável e exibe na parece um cartaz de que tem um certificado de confiança? Nós também não deveríamos checar a autenticidade desse certificado?

Interessante não?

Vamos a um outro exemplo.

Alguém aqui já pediu teste de combustível em algum posto para atestar o certificado que ele apresenta afixado nas bombas? Experimente pedir e me descreva posteriormente a reação. Geralmente NUNCA pedimos e apenas confiamos. E pior, só descobrimos depois de sermos obrigados a pagar uma conta do conserto do motor do carro ocasionado por combustível adulterado.

Porque somos tão omissos a isso? Porque aceitamos pagar essa conta? Ahh, porque se eu for reclamar não tenho como provar. Hmm, é uma bela desculpa. mas e se tivesse questionado antes? Pedido provas da autenticidade? Se tivesse problema posterior, teria do que reclamar. Foi enganado.

Como vemos, o impacto dessa nossa omissão do conhecimento, afeta consideravelmente nossas vidas e as vezes nem percebemos isso. Ou percebemos mas preferimos continuar na omissão. Se contabilizarmos os gastos dessa omissão, veremos que a cada pequeno problema enfrentado perdemos tempo, dinheiro e principalmente saúde para o estresse, nervosismo, discussões e etc. Tudo isso poderia e pode ser evitado. Basta usarmos nosso senso analítico e crítico. Dessa forma não nos deixamos levar por uma sopa de letrinhas e de números, pois no final de tudo quem paga a conta, SOMOS NÓS!

Pensem nisso e QUESTIONEM! 😉

Abraços!

(1) Fórum DFTestes

(2) O nome da Idéia é “Mesa Redonda” e foi criado pelo Fabrício Ferrari, dono do blog http://qualidadebr.wordpress.com/about/

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